Friday, September 4

De 1984


Sentei na cadeira do computador (mentira, sequer saí dela) e rabisquei umas coisas no bloco de notas (queria muito postar uma coisa nova!). Fiquei pensando em deixar uma música, ou cantar parabéns para mim mesma, mas eu achei clichê.

Então, vamos a graça disso tudo: OBRIGADA, Deus! Pela família que tenho, pelos amigos que ficaram, pelas pessoas que conheci, pelas atitudes que tomei, pelas risadas que dei, pela pessoa que me tornei, pela história que vivi - e estou vivendo -, pelas lágrimas - e todo aprendizado -, pela esperança, pelo sonho, pelas cores, pelos animais de estimação, pelas palavras, pela honestidade, pela verdade, pela reciprocidade de tudo que faço de bom, pelas oportunidades, pelas desistências - que se revelaram desimportantes -, pela segurança, pela ausência - que se completou de outra maneira -, pela crença na fantasia, pelos 25 anos de vida!

PARABÉNS PRA MIM!



You Deserve to be Loved - Curti Stigers

Thursday, September 3

Texto de nãos



Fui dormir antes da hora. Optei por ouvir música. – Minhas desculpas eram plausíveis: o home theater não leu o DVD e eu estava com preguiça de importar o outro seriado para um pen-drive.

Por quatro segundos, me perguntei se era real. Geralmente ajo dessa maneira quando quero perder algumas horas pensando em alguém. Mas eu nãonão gostei da brincadeira que me fiz, como não me respondi e me ignorei.

O meu quarto nunca ficou tão assustador depois que o meu coração acelerou e minha respiração travou. Aquele escurinho acolhedor era medonho, me sentia tão indefesa!

E aquele aparelho idiota, o MP3, mesmo no volume máximo não sufocou meu desejo! “Ah destino traiçoeiro! Palhaço de circo! Por que não me deixar na companhia de minha sombra?”

Fiquei me cutucando daquele jeito irritante! Tamanha ousadia! Não adianta, Xavier – que sabe que não é ele – e pouco importa se o que sentimos é recíproco ou verdadeiro! Porque eu não quero! E mesmo que jamais prove teus lábios, que morra frustrada, não faço questão!

Ainda que te sonhe, vou afogar! Por mais que angustie, sofrerei! Mesmo que sangre, vou deixar arder! E não importa quanto tempo dure, vai passar! Tenho considerado, INCLUSIVE, essa conexão uma artimanha premeditada de meu abstrato desconexo porque estes dias não escrevi – ou só tive medo de ser objetiva demais.

Nunca neguei tanto. Nunca odiei tanto saber que amo demais. Nunca sofri tanto porque sei que vou continuar sofrendo – que seja sim, que seja não! E é tão absurdamente enlouquecedor que, algumas poucas vezes, tenho vontade de apontar as entrelinhas mentirosas de meu próprio texto, revelando algum segredo, MAS EU JAMAIS FARIA ISSO. Que se mate na dúvida!

Desculpe porque sou eu,
desculpe porque é você
– porque ele definitivamente sabe
que não é ele.



You Deserve to be Loved - Curti Stigers
 Desculpem pela hora da postagem e pelo texto desconexo. Alguém já ouviu falar na expressão "filme de autor"? É quando um diretor faz um vídeo que só terá um real entendimento (ou fará algum sentido plausível) pra ele mesmo. Esses escritos de hoje tem mais ou menos a mesma proposta. Depois de passar três horas embolando na cama, resolvi colocar pra fora uma determinada úlcera - se é que me entendem - que não preciso (e nem quero) que ninguém entenda, mas leia e me alivie.
3) Hoje, meu blog é uma lata de lixo: dia 4 de setembro vai nascer um sol diferente, mesmo que chova. E ME será um novo ano. Que o blog apodreça esta situação que estou jogando fora! É completamente infeliz.

Monday, August 31

Sem teorias

O que tem do outro lado do céu?
O avesso do verso?
Averso?




Cheguei a conclusão de que se encarar no espelho não é uma tarefa difícil, como algumas pessoas costumam dizer que é. - "Reconhecer os erros cometidos ou situações que não se quer reviver."

Conversa fiada! Afinal de contas, você não está encarando a si mesmo. A visão que se tem do espelho não volta direto para si mesmo. Não é como arrancar os olhos das órbitas.

E, sabe-se lá o que aquela criaturinha que mora no inverso perfeito de tudo que você vive aqui é capaz de imaginar de nós, do lado de cá, no eSPELHO iNVERSO, face de nossa própria consciência.

Ótimo setembro para todos!



Halo - Beyoncé (é o tipo de música que você canta junto...)

Monday, August 17

Simetria textual



As linhas do meu caderno eram sugestivas. Me davam espaço e liberdade para escrever sobre tudo. Assustou. E tinha uma idéia desconexa em mente sobre as pessoas, não coisas, que pensamos antes de dormir - sejam elas agradáveis ou não. Concluí que a melhor das opções, já incluindo as que não escrevi, mas pensei, era descrever a beleza no trajeto até a construção desse texto.

"Desliguei a TV - achava que passava das duas horas da manhã, mas nem era meia-noite. Escovei os dentes - lembrando de como tomei vinho branco ontem à noite. Beijei minha gata - desejei boa noite imaginando se miaria depois que fechasse a porta do meu quarto.

Peguei o caderno e a caneta - sabia que alguma coisa estava cozindo. Lembrei da mentira que inventei para domingo - e coloquei minha caneca de lápis colorido na frente do monitor para não esquecer.

Tranquei a janela do quarto - imaginando se alguém, qualquer um - estaria pensando em mim naquele instante.

Então decidi o que seria: a existência. - Até que ponto deixamos de ser alguém se ninguém pensa em nós?

Queria filosofar, mas encontrei um pêlo de gato sobre minha pele que não senti que estava lá até vê-lo.

E, de alguma forma, poderia jurar que tudo estava justificado."

Não quis perder mais tempo e fui ler.



Halo - Beyoncé (ela nasceu no mesmo dia que eu. Estou pensando seriamente em me tornar cantora... Fazer uns bicos na MTV, ganhar uma bufunfa...).

Sunday, August 9

Sonho FAL.351-A


Era adolescente, mas não lembro quantos anos tinha; se era tímida ou destemida, cheia de sonhos ou depressiva. Também não sei dizer o mês... Março? Dezembro? Setembro – verão? Primavera? Tarde ou noite?

Estava deitada – aparentemente sonhando. Meu antigo apartamento, no antigo quarto, com antigos móveis. Estátua dorminte – respirava lento. Chovia suave, ventava muito. O céu estava do jeito que gosto – cinzento – e minha janela completamente respingada.

Uma gota particular era povoada. Enquanto as outras refletiam o céu nublado, aquela parecia preenchida por um arco-íris surreal – de poucas cores. Me aproximei curiosa, olhei dentro da gotinha como se espiasse pelo buraco da fechadura. No instante seguinte, estava do outro lado.

Tinha uma floresta à esquerda e um belíssimo lago do outro lado. Fiquei admirando, entretanto, a casinha de palafita – feita de madeira forte, com uma janelinha. Queria subir na pequena moradia – e será que seria tão bom deixar de admirar para conhecê-la por dentro?

Não consegui decidir a tempo de acordar.



Acabei relembrando coisas do passado enquanto ouvia ANGEL da Sarah McLachlan [lembro de quando conheci Sthenio, Sthevan e Julianna], CALLING ALL ANGELS do Lenny Kravitz [Lembro de Xavier - inevitável!] e ROSIE'S LULLABY de Norah Jones [Kleber, que me apresentou a música no ano retrasado].

Tuesday, August 4

Noite infeliz


A angústia começou quando escureceu – mantive a eletricidade daquela manhã. O sangue corria trêmulo, como se escorregasse excitado num tobogã de euforismo desaguante – eu queria continuar gastando energia.

Contra minha vontade, tapei a passagem de gritos e abafei risadas que não pularam de mim. Era como um passarinho numa gaiola aberta – queria voar, mas não tinha para onde ir.

Surgiram úlceras. Inquietude, incompletude. Chegou a coçar. Doía. Fiquei assim até me cansar de ter cansado porque não conseguia cansar. A TV piscou depois das 23h com uma bobagem... Esta mesma porcaria foi minha alforria por duas horas.

Quando os créditos estavam na tela, voltei a minha impaciência, mas já era tarde demais. Ninguém cantava Roberto Carlos no karaokê do vizinho. Os adolescentes não se exibiam ou falavam besteira no salão de festas.

Estava sozinha. Depois de tanto tempo, minha própria companhia não foi suficiente. Meu cheiro não me satisfez. Desejei alguém abstrato, com pouquíssima excentricidade.

Apaguei a luz da sala, escovei os dentes, lavei o rosto e fiquei me olhando no espelho. “Quanta baboseira a gente planeja quando assiste uma comédia romântica”. Deitei na cama e comecei a escrever. Não lembro como dormi, mas não queria fechar os olhos.

Thursday, July 30

Trinta e três para atrás


Ainda não tinha dormido na manhã daquele dia. Estava elétrica, a névoa se fora! Deixei a luz entrar pelos meus poros quando me joguei naquele verão particular.

Tive uma conversa ousada com o sol. Me ofereceu álcool! Antes mesmo de aceitar, senti o gosto do vinho. Fiquei trêbada. Não raciocinava, e nem queria, porque meu riso era perfeito e meus dentes rebatiam claridade.

E depois de tanto tempo, uma lembrança estranha - incompleta. De coisa-nenhuma que era alguém. E que passou antes mesmo de se formar - como um suspiro de tempo esvaído.

Ah, tirei a roupa! Tomei banho de chuva, assisti um besteirol, viajei e jantei fora, escrevi trinta – e – três – livros, andei com as mãos no chão, fiquei milionária! E amanhã?

Amanhã eu pretendo
repetir o que foi bom
e reinventar
o que não me satisfez.

Saturday, June 27

Entre as linhas

das palavras. Liberta.


Tinha fugido do sono. Como se não desejasse encarar o tormento da noite silenciosa - aquela que escuta todos os problemas que você não quer pensar, não diz absolutamente nada e, mesmo assim, parece dar os melhores e mais doloríveis conselhos do mundo.

"Considero injusto o caminho que algumas coisas seguem, porque é como uma consciência ignorante - nasceu uma árvore que só dava mangas murchas. Por que culpar o jardineiro que tinha esperança e quis tentar? Ou, por que sacrificá-lo quando se cansou de trocar o adubo e desistiu?"

Já no dia seguinte, fiquei recostada, olhando minha cortina azul enquanto abocanhava a tampa da caneta, imaginando o que iria pensar e dizer na linha seguinte. Me perdi fantasiando as entrelinhas de minhas próprias palavras. Como uma receita milagrosa, de - dentro - para - fora.



Se não quiser o bem, também não faça o mal. Welcome to my world! Se não aceitam, que se deixe em paz, Tormentos. Demônios.



Fuck It - Eamon

Friday, June 26

À caminho de Seiláoquê


Sabe a Névoa? Filha da Neblina, Irmã da Bruma, sobrinha do Calafrio, neta do Inverno?

Estou conhecendo...

Me sugou por inteira.

Até chegar neste ponto, foi uma dura batalha entre "voltar" ou "seguir em frente". Lembro que parei bem no meio e estiquei os braços para alcançar melhor os dois espaços.

O caminho por onde andei, de onde vinha, era aquecido, verão, ensolarado... A luz doía nos olhos de tão claro.

O lado para onde tinha que seguir era turvo, sombreado. Esfriava o tempo inteiro. Senti que enrijeceu meus dedos e meus cabelos. Embranqueceu minha pele, ressecou meu rosto.

Mas alguma coisa dizia que deveria continuar. Outras vezes, inclusive, amedrontada (porém curiosa) pulei fora e de volta para dentro do caminho de onde viera.

Queria muito ficar ali! E me plantei como árvore! Sabe? Tinha energia para viver bem! Por que me arriscar?

Criei raízes! E não pude fazer mais nada... Como uma história que ninguém mais escreve. Como um personagem atirado na lata do lixo. Como autora de meu próprio destino, simplesmente havia escolhido parar porque de onde vinha, o que vivera, parecia suficiente.

Mas não foi. A luz enfraqueceu, algumas flores dos arredores murcharam e comecei a perceber que a névoa estava se aproximando de mim porque ela queria me pegar de qualquer jeito. Pior que isso: ela tinha que me pegar de qualquer jeito.

Então entendi que não se tratava de mim... Nem daquela fase turva... Mas da minha estrada. Eu só tinha aquele caminho, aquela direção. E, num determinado momento, não conseguiria mais enganar meu destino.

Está muito embaçado. Tentei correr, mas não consegui (tudo bem, trata-se do tempo alinhado com o tempo).

Tem sido assustador. Mas, agora pouco, encontrei um arco-íris! Na ponta mais próxima tinha duas safiras no chão. Quando me baixei para apanhá-las, percebi que não eram pedras, mas os olhos azuis de Ramza (minha gata siamesa de estimação), que me acompanhava silenciosa e sorrateira.

Tenho medo do que vai ser e como vai ser, mas não estou sozinha e para além de "arriscar", foi necessário.

Friday, June 5

De lá pra cá?



Era desajustada. Tropeçava nas próprias pernas. As calças eram curtas e o cabelo desgrenhado. Algumas espinhas aparentes, óculos que não embelezavam e um coração envolto por camadas "inatravessáveis" (ainda que a expressão não exista, porque gostava de inventá-las).

Já amava as palavras, mas ainda era um sentimento involuntário. Depois, em contato direto com regras e formalidade, instalou-se o medo. Havia um universo capitalista regido pela disputa. De homens gigantes com passos largos, medonhos.

Escondeu-se debaixo da cama, estava muito assustada. Era presa fácil na terra de vilões. Chorou pouco tempo... Até resolver caçar também. Passou meses questionando o sistema... E não chegou a qualquer lugar.

Colocou as mãos na cintura, bateu o pé, franziu o cenho, viu que não estava onde planejara, apenas imitava a maioria – era arrastada diariamente pelo tempo.

Resolveu lutar contra a maré... Virou um peixe solitário, mas estava acompanhada por outras sardinhas e golfinhos que também nadavam sozinhos.

Na areia da praia, viu que o mar era uma miragem e estivera numa poça de lama – não havia oceano algum! E já crescera tão mais! O mundo ficou pequenininho, os monstros eram menores ainda, suas vozes inaudíveis.

A paciência foi o único verdadeiro preço pelo qual teve que pagar... Então, concluiu que nada realmente mudou no mundo, nas poças, nos vilões ou golfinhos... Seus mais profundos desejos é que cresceram demais... E absolutamente nada seria capaz de limita a realização deles.



Lara Fabian - qualquer música! AMO!
Venci um concurso de fotografia!