Saturday, June 9

Escrevendo?


Olha o que acontece quando você tem uma ideia que não alcançou o papel:

"caminhou pelo corredor mal iluminado no encalço da enfermeira. Não muito longe dali, pacientes caminhavam numa área aberta, ouvindo gritos dispelo corredor sem acreditar que sua visão do lugar estava ultrapassada. Imaginou que enA porta de madeira fez um barulho quando a enfermeira o ferrolho da porta de ferro fazendo barulho. A porta de ferro se abriu para fora, pesada."

E eu vou te dizer: é muito chato quando isso aconteceee, puta merdaaa! Tá tudo lááá e as frases não tem música. Aí você volta e tenta de novo... Volta, tenta mais uma vez... "Não, não é isso!" e volta de novo! Eu gosto quando, no fim das contas, eu tenho um parágrafo e esse monte de palavras sobrando. Porque eu vejo como resolvi o "problema".

Bom, até postar, não estava resolvido.

Sunday, May 27

Celeste e a página 355 do seu diário


Acordei achando que dormi uma semana inteira... Mas a minha gata de estimação não estava morta de fome... Na realidade, dormia quentinha, de barriga para cima.

O celular marcava 13h23, mas, estranhamente, nao tinha uma dor de cabeça... Porque eu sei que não posso dormir até depois do meio-dia... Deve ter alguma coisa a ver com o pôr-do-sol... Sempre acordo com uma enxaqueca cruel, debilitante.

Mas eu não estou aqui para falar disso... Essa noite, tive sonhos esquisitos. Andava por vielas e queria voltar para casa. Estava cansada de caminhar, mas ainda conseguia fazer um esforço. No meio do caminho, questionava as pessoas sobre uma avenida...

Passei por uma loja de bonecas... E tecidos... Topei com pessoas vestidas de personagens do Harry Potter... e encontrei uma garotinha que queria criar um gatinho. "Dê ração, leite, carnes, arroz e comida enlatada. Não pegue o animal no colo o tempo inteiro. E você também vai precisar de uma caixinha de areia", disse a ela.

O pior de tudo é que resolvi escrever porque estou com uma sensação esquisita... Queria falar dele... De quem não tenho nada para dizer... Talvez, a sensação nem tenha a ver com ele, mas, com a manhã que não vivi, o lugar em que não estive e um rapaz que ainda não conheci.

Friday, May 25

Dez anos!


Separei a imagem desde ontem porque hoje é um dia memorável. 10 anos atrás... quem diria! Conheci pessoas que marcaram a história da minha vida. Tantos anos depois, eu poderia simplesmente ignorar... Ou jogar pela janela... Tratar com indiferença... Mas eu tenho um certo misticismo, um sexto sentido, um feeling particular que foi duplicado anos atrás e respeito.

Também não posso esquecer das pessoas que conheci... E dos amigos que trago no peito desde então. Alguns mais afastados, outros mais próximos... Mas todos no meu coração, guardados com carinho (mesmo!). Afinal, como posso me esquecer de tantas situações que desencadearam um efeito dominó?

Quando penso em "vinte e cinco do cinco", meu cérebro jogar um vestido preto na minha cara, um cabelo ressequido e um par de olhos azuis. Depois, acordo na varandinha de uma casa de praia toda de madeira. Eu vejo a chuva, sinto frio nas mãos e um cheiro de mar enfraquecido.

Eu não tenho certeza, mas acho que, no começo, tinha música. Trilha sonora New Age! E chá. Quando os detalhes vão intoxicando o meu cérebro, escuto o barulho de cadeiras de plástico raspando no chão de pedras. Sinto a presença de um grupo de pessoas em silêncio, dando ouvidos a alguém que amei e, subitamente, odiei.

O mais engraçado de tudo... é que foi melhor porque deu tudo errado. Agora, lembro da minha adolescência como a de alguém que acabou tropeçando em armadilhas e caiu numa realidade paralela... Viveu algumas aventuras e voltou com histórias para contar. Meus 17/18 anos foram verdadeiramente graciosos! Desses que a gente lembra detalhes e gostaria de voltar só um pouquinho para matar a saudade.

A medicina explica que... normalmente, o cérebro dá um jeito de esquecer as coisas desagradáveis. Às vezes, acho que das mais angustiantes, a decepção é quase mortal. Cartas na mesa... lágrimas, "adulta estúpida!", "adulta fraca!", "adulta burra!" e a descoberta de um mundo sem super-heróis... Sem justiça... A descoberta de um mundo real, com monstros reais.



Sabe do que mais? ESTÁ TUDO BEM. Era o que desejava dizer. E que, de alguma forma, disse.

Que sorte a minha!

Tuesday, May 15

Time goes by, Espelho Inverso

Se alguém tivesse dito...


Minha cor preferida era azul, era viciada na internet... e já fui mais grosseira. Não posso dizer que, de repente, gosto de coisas mais fofinhas, cor de rosa e reduzi o meu tempo online em mais de 75%, mas é por aí. Também estou postando mais e dizendo cada vez menos... Vai entender...

Sentada na varanda, pela tarde, pensei racionalmente que, talvez, o eSPELHO iNVERSO esteja com seus dias contados. Sei que raramente escrevo alguma coisa muito relevante... e, ultimamente, muito do que encontro por aí e tenho necessidade de dividir, jogo na própria página do meu Facebook.

Então, e pensando em lixo virtual, resíduo, reciclagem... cheguei a tal pensamento. Algumas vezes, deixei pistas de quem estava em transformação, de quem precisava de mudanças... e que, provavelmente, as mais significativas eram mais lentas, mais despercebidas. E eu já tenho os meus sinais.

Bom, a verdade é que essa história de "mudar o padrão" ou "yes, man!" pode ser uma grande ilusão, se a mudança não começar do seu interior. E eu acho que a brincadeirinha das cores, dos "ursinhos de pelúcia" e... minha vida virtual enfraquecida são das mais estúpidas transformações que poderia exemplificar.

O que também vem a calhar, e isso é velho, é que não posto mais da minha vida. Não falo abertamente, como já devo ter feito se estou apaixonada, ganhando muito dinheiro ou planejando uma nova viagem relâmpago. Primeiro porque não interessa a ninguém, e depois, porque, quem não deseja ser lido, não tem blog público.

O meu grande e atual dilema com o eSPELHO iNVERSO é o apego emocional. Eu simplesmente amo o nome "espelho inverso" e acho uma das metáforas mais filosóficas que já acionei para falar de mim. Entretanto, não tem sentido algum, se não tem seu propósito atingido.

Neste blog, quando penso em seu nome, me imagino tomando o lugar do meu reflexo no espelho para falar de mim mesma. A intenção era agir criticamente sobre a minha própria vida, mas eu não posso fazer isso. Depois de algumas experiências quotidianas, cheguei a conclusão de que sou discreta e aprendi sobre isso no berço.

É complicado, dessa maneira, manter o blog. Ele já não tem objetivo amado. Eu não quero falar de mim, minha vida não é interessante, e se for, por que diabos eu teria de avisar a todo mundo que está sendo? Eu não sou famosa, não devo explicação a fãs e meus amigos me encontram via telefone quando precisam!

Se pudesse resumir, eu diria que ainda quero escrever. Que gosto de escrever, de ser lida! Mas eu não quero fazer da minha vida um lugar onde os curiosos venham para especular a respeito dela. Na realidade, eu nem acho que faço mais dessas coisas, e se fiz, já faz muito tempo!

Eu estou pensando em abrir um blog novo, estou querendo migrar, fazer diferente, mudar! Mais mudanças! Pequenas mudanças, dessa vez, na leitura de vocês. Felizmente (ou nem tanto), ando apaixonada por muitas coisas... e não sei como afunilar os assuntos para repassar. Então, por enquanto, sem pressão, ok?

Não é garantido que o eSPELHO iNVERSO venha a ser fechado, nem que realmente inicie alguma coisa nova, completamente diferente. É certo, apenas, que peças estão sofrendo ajustes e substituições. Quem tiver alguma ideia e puder me ajudar, deixe recado que eu retorno assim que ler!

Abraços aos leitores, aos curiosos de plantão, aos anônimos... E a qualquer outra raça que frequente este espaço! Não é uma despedida, é apenas um MUITO OBRIGADA.

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Saturday, May 5

Como ser um escritor?


Quem deseja ser escritor, sofre. Sofre porque deseja escrever e nem sempre gosta do que  diz. A plenitude do escritor está nas palavras que nem sempre se mostram. O azar está na ausência de prazo, no tempo em si mesmo. E eu acho que minha falta de vícios é um agravante. Porque não tenho alma boêmia, não fumo, não bebo... Não galanteio, nem deixo recados no espelho. Não tenho cheiro de roupa guardada, meu quarto é organizado e, apesar de madrugar, estou em casa. Não sei jogar dominó como outros experts e gosto de historinhas bobas no cinema, como as eternas comédias românticas.

Pobre de mim.

Friday, May 4

O que está acontecendo?


É, eu já reparei que não tenho dito muita coisa... Mas, e mesmo assim, não estou sem postar. Também não estou entendendo muito bem. Não é uma questão de "se conhecer" ou saber o que se quer da vida. É, talvez, um pouco mais (ou menos). Eu estou, apenas... aqui. Eu estou onde estiver. Estou em paz.

Saturday, April 28

Glee S03E17


foi em homenagem à morte da Whitney Houston. Gosto muito das músicas dela... e ouço, diria, com alguma frequência (não como Lara Fabian, Adele ou Chantal Kreviazuk, mas ela deve ter um ranking nos meus ouvidos).

E de volta ao episódio do seriado em questão, posso dizer que escolheram as músicas até bem... Entretanto, nenhuma superou a performance de Blaine. (Se puder abrir um parênteses: quero deixar claro que Glee  se perdeu mas ainda assisto. A primeira temporada foi tão boa... Fico esperando melhoras...)


E aproveitando o assunto, quero repassar outro vídeo que me emociona e arrepia profundamente na voz desta "criança". Uma coisa é certa: a letra é matadora e merece destaque.


Friday, April 27

My Week With Marilyn

(Sete Dias com Marilyn, Simon Curtis, 2011)


Sou meio suspeita para fazer comentários. A verdade é que já assisti há algumas semanas... E como alguém que adora (e acompanha) o trabalho da Michelle Williams desde Dawson's Creek, posso dizer o mesmo que costumo dizer sobre Kate Winslet: já era muito boa, está incrível e continua superando os próprios trabalhos a cada novo desafio!

Confesso que sei muito pouco a respeito de Senhorita Monroe. Portanto, não posso julgar Michelle Williams como alguém capaz de fazê-la com maestria. Entretanto, depois do filme (e geralmente acontece), costumo pesquisar um pouco a respeito de alguma coisa que me chamou a atenção (se foi a música, leio um pouco sobre o compositor; se foi a história, leio sobre o roteirista; se foi algum personagem, leio sobre o ator). Neste filme, em particular, me interessei por duas coisas: a superação na atuação da Michelle... e do contexto aplicado à Monroe, por ela.

Sobre Marilyn, depois de algumas leituras, percebi que a eterna Jenn de Dawson's Creek deixou o seu recado como alguém que sabe o que fazer com o que se tem nas mãos. Estou acostumada ver a Michelle fazendo papéis de personagens marcantes, com excesso de energia (veja "Namorados para sempre" ou "Ilha do Medo"). Analisar essa brilhante atuação, de alguém que tem impacto, mas é frágil, superprotegida e problemática, que não tem muita explosão, nem é expansiva quando está o sendo (e consegue transmitir tudo isso na tela do cinema), é ter a certeza de que escolheram a atriz certa, cheia de potencial para encarar um personagem tão... peculiar!

A história em si, entretanto, apesar de matar a curiosidade dos mais interessados, não é muito marcante e trata-se de uma passagem na Vida Monroe. Emma Watson faz uma participação quase especial... e vê-la nos filmes sem o destaque que tinha como Hermione na saga Harry Potter foi meio frustrante, mas não menos interessante. Recentemente, as pessoas têm comparado a atuação da Michelle como Marilyn à de outras atrizes no mesmo personagem. A última da vez foi a Uma Thurman no seriado Smash (e desculpem-me os fãs, mas não chegou aos pés!), assistam e tirem suas próprias conclusões.

Recomendo muito!

Tuesday, April 24

Celeste outside



Celeste woke up in a dark small room. There was a door opened, from where a strong light was coming. Between the darkness and the other shining space, there was a guy. Well, she saw a silhouette and it looked like a man wearing a simple shirt and large pants.

In her mind, she heard a male voice saying "Constantine", but there was no logic. The light of her place turned on after a "click" and she saw that she was in a hospital. Unfortunately, she couldn't remember why.

Wednesday, April 18

Celeste em: linhas e destino


Ela entrou no shopping e correu no banheiro. Lavou as mãos antes de continuar o passeio (não tinha um tique nervoso, mas gostava de lavar as mãos). Aproveitou para checar a maquiagem (que usava para ressaltar o que tinha de bonito, não para esconder seus defeitos).

Não demorou até que outra mulher entrasse... Ela aproveitou o embalo e saiu sem pegar na porta. (E mais uma vez, ela diria que não é tique, é lógica e esperteza!) Caminhou sem pressa em direção à praça de alimentação... Tinha um encontro, mas estava adiantada.

Olhou algumas promoções... Não se interessou por muita coisa. Na realidade, quando o espírito não estava preparado para as compras, era realmente difícil sofrer a persuasão das vitrines. As únicas lojas que mantinham a magia eram as livrarias, mas ela não encontrou qualquer delas pelo caminho.

Não estava nos melhores dias... Estava desanimada e se forçou a sair de casa e aceitar o convite. Sozinha, sentada e perdida numa das dezenas de mesas espalhadas e envolvidas por diferentes culinárias, ela encarou as próprias mãos. 

Antes de sair, pintou as unhas em casa e fez alguns bifes... Não ardia, mas alguns dedos estavam avermelhados. Sorriu internamente - era mesmo desastrada - ! Tinha mãos magrelas, esqueléticas, mas gostava delas. Achava uma das partes mais bonitas de seu corpo.

As palmas não eram ásperas... Eram bem frias, amareladas... "Essa deve ser a linha da vida (bem curta, por sinal). Se existe linha do amor, não vou perder o meu tempo procurando... Não devo ter.  Hum..." Então se perguntou sobre os próprios pensamentos.

Celeste tinha o costume de olhar para a palma das mãos quando estava passando mal. Fosse por causa de uma enxaqueca, por causa de uma queda na pressão... Ela sempre olhava para as palmas das mãos. Às vezes, bastava ter um sonho muito louco, um pesadelo... Lá estava ela, olhando para as linhas do destino.

Ela nem sentiu, mas tinha uma expressão bem séria, o cenho estava franzido e ela encarava as palmas das duas mãos. Seus olhos corriam da esquerda para a direita... E de volta para a esquerda... "Curioso", ela pensou. "Afinal de contas, o que busco nas próprias mãos?"

Mas alguém vendou seus olhos e interrompeu o resto: "se adivinhar quem é, vai ganhar um beijo!"